sábado, 16 de julho de 2011

Borboleta

Eis que chega o dia, do dar-se conta. Quase sem perceber, a minha filha, aquela fadinha, aquele serzinho todo iluminado de 10 anos, reveste-se da imperatividade da pré-adolescência. É tanta energia que transborda, é tanta força, tanta luz que anuncia uma nova fase.
Abandona-se a fase do sabe-se tudo, sem saber que sabe – a da infância; e se posiciona na fase do achar que sabe tudo, quando lhe falta de fato a maturidade do saber. Mas como é lindo!!!
As trocas são infinitas:
Saem as roupas de bichinhos,  florezinhas...para que não ganhe lugar o mico que povoa a árvore do ridículo. Neste quesito ficam vetadas as fantasias de carnaval, que até para sair no bloco de bichos sofrem uma relutância tremenda- coitadas!
Saem os cabelos cacheados que já não servem mais, afinal ficar com cara de anjinho, “não tem nada a ver, é coisa de criancinha bobinha” e entram os cabelos lisos, falsificados pelas escovas, pranchas, formóis que acabam com a naturalidade estética  pessoal, mas  é a marca registrada do estar penteada, e pronta pra qualquer balada.
Saem a ausência de seios e entra o sutiã com bojo. Neste quesito, a delicadeza é essencial, pela diversidade de tamanhos e a crise que isto suscita: as amigas que pressionam, os meninos que reconhecem, os familiares que se reconhecem e os próprios que se angustiam- O que sou? Porque sou? Como sou? Como serei? Ai, ai...

Para isto eu digo: serás sereia!!! Linda, bela, majestosa, singular! Seu canto será ouvido, por quem deverá ser, seu amor reconhecido por quem o merecer, seu encanto se espalhará, assim, sem cessar, por onde passar.

Ò minha linda, amada, ainda aflita, pré-adolescente, quando te perceberes exatamente como és, verás que todas as aflições não tinham sentido de existir, o que vês no espelho é o melhor plano que Deus preparou pra ti e a você, cabe fazer o melhor para cumprir. Talvez, mais tarde, espero que logo, percebas que tantas voltas que deu, se apressará em desfazer, simplesmente porque nasceste pronta, nasceste sendo, nasceste tudo. Perceberás que todos os caminhos que se apressou em buscar, em ir atrás, sempre estiveram onde você está, e toda aflição perdeu-se no próprio perder.

Repousa teu coração, te olha como o ser divino que és, se ama como só você pode se amar. O corpo é sagrado, porque contém tudo. Teu coração é sagrado porque é só amor. Vc,  inquieta como é, me provando o sentido que tem sido trabalharmos o poder de argumentar, poderá perguntar : E quando odeio? Às vezes sinto raiva das pessoas que fazem o mal, odeio as pessoas que matam as plantas?  Ó linda,  mesmo o ódio é amor. O ódio só existe pela necessidade de ser reconhecido e aceito pelo amor. Aceita a poesia dos contrastes, de um dia estar linda, no outro não sentir-se tanto, aceita tudo que sente, toda felicidade que só vem depois do frio na barriga. Alegria!!!
Ame, então, ame cada comentário de que estás muito alta, muito magra, muito resmungona, muito descabelada, tudo é parte, tudo faz parte. Desde que você não esqueça o principal: seja você.
Nem nasceste largarta, para percorrer o caminho de desfigurar-se até virar borboleta, mas retire o que não tem utilidade, limpe o que  não faz bem, transforme-se e voe.
Nós, merecemos ter todas as suas cores, esplendores, espalhando luz por aí.

Rio, 25 de Março de 2011.

Virtudes 2

Virtudes 2
Ainda no quesito virtude, trago os versos de Ouro de Pitágoras, que traduzem ensinamentos que se fossem obedecidos trariam grandes mudanças individuais e/ ou universais. Tais conceitos fundamentam a definição anterior: Disposição constante do espírito que nos induz a exercer o bem e evitar o mal.
Embora Pitágoras tenha escrito esses versos há 2.500 anos, eles são tão atuais hoje quanto na Grécia Antiga. Depois me diga: Está ou não está tudo aí?







Versos de Ouro de Pitágoras:
01. Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.
02. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.
03. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.
04. Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.
05. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.
06. Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.
07. Aproveita seus discursos suaves, e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos.
08. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro.
09. Porque o poder é limitado pela necessidade.
10. Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões.
11. Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.
12. Não faz junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.

13. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.
14. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.
15. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.
16. Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos.
17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.
18. Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for.
19. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.
20. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.
21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.
22. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.
23. Portanto, não aceita cegamente o que ouves, nem o rejeita de modo precipitado.
24. Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.

25. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora.
26. Não deixa que ninguém, com palavras ou atos,
27. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.
28. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas.
29. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.
30. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.
31. Não faze nada que sejas incapaz de entender.
32. Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, tua vida será feliz.
33. Não esquece de modo algum a saúde do corpo.
34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.
35. O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados.
36. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.

37. Evita todas as coisas que causarão inveja.
38. E não comete exageros. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.
39. Não age movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas.
40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.
41. Ao deitares, nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,
42. Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.
43. Pergunta: "Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?"
44. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.
45. Pratica integralmente todas estas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo o coração.
46. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina.
47. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado.
48. Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna.

49. Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.
50. Quando fizeres de tudo isso um hábito,
51. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,
52. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e aquilo que os contém, e os mantém em unidade.
53. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.
54. Deste modo não desejarás o que não deves desejar, e nada neste mundo será desconhecido de ti.
55. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.
56. Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está ao seu lado.
57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.
58. Este é o peso do destino que cega a humanidade.
59. Os seres humanos andam em círculos, para lá e para cá, com sofrimentos intermináveis,
60. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.

61. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!
62. Oh Deus nosso Pai, livra a todos eles de sofrimentos tão grandes.
63. Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia.
64. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina.
65. E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles.
66. Se ela comunicar a ti os teus segredos, colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo.
67. E ao curar a tua alma a libertarás de todos estes males e sofrimentos.
68. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma.
69. Avalia bem todas as coisas,
70. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.
71. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no éter.
72. Serás imortal e divino, terás a plenitude e não mais morrerás.

O Livro das Virtudes




  
O Livro das Virtudes

Tenho por princípio considerar os livros obras infinitas, que vão ampliando os conceitos e a percepção de acordo com o momento ou grau de evolução de cada um.  Esta semana comecei a ler com minha filha  “O Livro das Virtudes” de William J. Bennet. Eu sou absolutamente fascinada por este livro e estava esperando este momento, o momento em que seria compartilhado por nós duas. Só que foi muito melhor do que desenhei em meus mais remotos planos.
Pra quem não conhece,  o livro reúne textos de muitas épocas e lugares. Da Bíblia a Shakespeare, de Esopo aos irmãos Grimm, de Aristóteles a Emily Dickinson, do folclore africano a discursos de Lincoln, de Oscar Wilde a Martin Luther King. São passagens, histórias, contos e poemas que ilustram dez virtudes essenciais para a formação moral de qualquer cidadão. E se tem uma coisa que a gente planta e deseja para os filhos é que sejam pessoas virtuosas.
É interessante, porque esperamos uns...10 anos para isto. Quando  era bem pequena, eu lia alguns contos para ela; mas quando começou a ler,  não se interessava muito, por ser um tijolão e os  livros com desenhos, ilustrações serem os preferidos, por motivos óbvios pra idade. Neste tempo, apresentei suas versões para crianças, que são acessíveis, e tiveram boa aceitação. Mas, nada tira o brilho de ler com ela, textos tão maravilhosos que mudaram os conceitos, corrigiram os rumos e construíram nossa história.
Segue o texto, que guardei este tempo todo,  e que gostaria, se eu fosse tão brilhante, de ter escrito para ela. De Scott Fitzgerald, em “O Livro das Virtudes”:

“Querida filha:

(...) Estou satisfeito por você estar feliz, mas não acredito muito em felicidade. Tampouco acredito em tristeza. São coisas que vemos no teatro, no cinema ou nos livros; essas coisas não nos acontecem na vida real.
Tudo em que acredito na vida são as recompensas à virtude (de acordo com os talentos de cada um) e os castigos por deixar de cumprir com as obrigações, que custam o dobro.
Sem pensamentos hoje, a vida parece um simples relato de um caso publicado no Saturday Evening Post. Penso em você, e sempre de forma agradável: mas se me chamar de “Pappy” outra vez, vou levar o Gato Branco para fora e dar-lhe uma boa surra, seis palmadas para cada vez que você for impertinente. Alguma reação quanto a isso?
Vou preparar a lista de comportamento na colônia.
Tolices, concluirei. Coisas que merecem atenção:

Cuide da coragem
Cuide da higiene
Cuide de eficiência
Cuide da equitação...
Coisas que não merecem atenção:
Não ligue para a opinião dos outros
Não ligue para bonecas
Não se preocupe com o passado
Não se preocupe com o futuro
Não se preocupe com o seu crescimento
Não se preocupe se alguém passar à sua frente
Não pense em triunfar
Não
pense no fracasso, exceto se for por sua culpa
Não ligue para mosquitos
Não ligue para moscas
Não ligue para os insetos em geral
Não
se preocupe com os pais
Não se preocupe com os meninos
Não se preocupe com as decepções
Não se preocupe com os prazeres
Não se preocupe com as satisfações
Coisas para pensar:
Qual é o meu objetivo verdadeiro?
Como me classifico em comparação às meninas da minha idade quanto a: a) meu desempenho na escola? b) compreender realmente as pessoas e ser capaz de me relacionar bem com elas? c) estar fazendo do meu corpo um instrumento útil ou negligenciando este aspecto?”

Ela adorou, sorriu, sorrimos, lemos outros... e ela perguntou nesse contexto todo, o que eram as virtudes?
Respondi que eram qualidades na formação da moral, do caráter das pessoas.
Mas, pesquisando melhor encontrei uma definição que achei perfeita:  Disposição constante do espírito que nos induz a exercer o bem e evitar o mal.
Estamos em paz, cada dia mais!



Rio, 25 de Março de 2011