quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia de Não Comprar Nada


Você conseguiria passar um dia inteiro sem comprar nada? Não por falta de grana, mas por consciência ambiental?  Milhões de pessoas ao redor do mundo decidiram que na última sexta-feira de novembro, ano a ano, ninguém compra nada. Essa é uma campanha chamada Buy Nothing Day, criada pela organização Adbusters.  Procurei, mais especificamente, no site da organização e o dia da campanha nos EUA é 25/11, enquanto no resto do mundo, 26/11.

Pelo sim, pelo não, você pode escolher a sexta ou o sábado, ou, se ainda quiser ser mais envolvido com a campanha, quem sabe os 2 dias?


Demanda algum esforço, é claro, tipo preparar o próprio almoço pra levar pro trabalho, mas promove uma reflexão um tanto importante: Tudo o que você compra é realmente útil? Você precisa comprar tanto, em tão pouco tempo? O que você precisa comprar, não pode esperar? E enquanto espera, não são várias as vezes  que muda de idéia?


Sendo um mês anterior ao natal, vou lançar o desafio para mim mesma, não só neste dia- do qual já participo há alguns anos- mas para o Natal.

Tem dois links maravilhosos para quem quer entrar em contato com o Universo da Contra-cultura, difundidos pelo Capitalismo devastador: Em um tem uma entrevista ótima com os idealizadores, sobre o impacto que a campanha causa em gigantes como Mac Donnalds, Nike... O outro link é do próprio Adbusters:

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_247335.shtml

 

http://www.adbusters.org/


Foi tão legal que me lembrei da data exatamente depois de ler uma matéria sobre a Black Friday, que é o contraponto deste movimento.  A Black Friday, sexta-feira preta em inglês, é uma megaliquidação realizada pelos varejistas nos Estados Unidos sempre na última sexta-feira de novembro. Quem trouxe para o  Brasil este ano, foi o  hipermercado Extra,  antecipou-se ao seu concorrente americano, o Walmart, e será a primeira grande rede de lojas físicas do País a aderir ao evento de marketing. A  promessa de descontos é de até 70%. Óóóóó... Todas as lojas vão abrir na sexta-feira, dia 25 de novembro, às 4 horas da manhã e fecharão à meia noite. O objetivo da ‘Black Friday’ é antecipar as vendas de Natal e capturar o consumidor antes que ele gaste - e se endivide - com os concorrentes. Foi feito um forte investimento em mídia a partir de quarta-feira à noite, com comerciais de um minuto no horário nobre da televisão. Além disso, a rede dará condições agressivas de crédito, como o primeiro pagamento em fevereiro e a ampliação do limite nos cartões, que pode chegar até a 100%. Sensacional, não?

Não. Sensacional, só se você quiser se iludir, porque liquidação tem o ano todo. O que eles querem é abocanhar o seu décimo terceiro salário e a sua alma sem a menor piedade, porque amparados pelo clima “felizinho” de fim de ano, você comprará várias coisas de que não precisa.
Eu diria que esse é um típico exemplo do Juízo Final, em que tem o anjinho pedindo pra você resistir, talvez jejuar e do outro lado, o diabinho pedindo pra se render à luxúria.  A disputa ali, na mesma sexta-feira.
Aí você, massacrado o ano todo, poderia dizer: Mas, eu sou pobre, não posso nem fazer uma extravaganciazinha no fim de ano? Pode, claro que pode, inclusive começar o próximo ano, sofrendo por conta.
Como diria aquela música: É o Juízo Final, a estória do bem e do mal. Quero ter olhos pra ver a maldade desparecer...
E aí, vai ficar em cima do muro?  De que lado você está: Black Friday ou Buy Nothing Day?
Sexta-Feira Preta só em filme de terror, porque o futuro disso é um sábado de arrependimento.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O coração é o que faz razão

Sabe aqueles dias, que está um sol enorme lá fora e você está em clima de chuva, querendo ficar mais na caverna do que o Batman, quando o mundo quer que vc aja, reaja, se jogue com ou sem energia na sansara da rotina e você está no movimento oposto?
Hoje acordei assim, e me achei ótima. Separei a roupa florida e delicada e fui pra minha aula de Yoga que conecta com a luz do coração, a luz que faz razão.
Ontem ouvi uma bobagem dessas que não merece crédito, de que havia situações mais importantes do que tratar do que vem do coração. Soou como uma trombeta do Apocalipse, um raio na minha cabeça, traçando um divisor de águas, onde temos a certeza do paralelismo universal, em que questionamos em qual momento pessoas assim conseguem entrar na nossa vida, nos tocar ou nos encontrar, ou que talvez este momento esteja tão distante que não retornará jamais.  O que pode ser mais importante do que o coração? E tudo se sublima, então.
O que dizer para pessoas que não ouvem seu próprio coração?
Lamentavelmente isso é muito mais comum do que se pensa.  Muitas pessoas são regidas pelo Ego- que como diz uma querida amiga- é a vizinha louca do andar de cima, cutucando nossa cabeça, cobrando decisões, reações, ações. Na contra-mão deste movimento, eu desejo sentir.

Se tem uma coisa que tenho certeza, conquistada há pouco tempo, em algum progresso meditativo, é que nada é mais importante do que o  coração. É o coração que rege e impulsiona todos os movimentos construtivos. É o coração que governa nossos instintos de proteção, nossa criação, nossa direção. O objetivo das vidas que respeito é colocar a atenção no coração, governando cada ato, cada movimento, cada intenção, porque o que vem deste ponto está conectado com o essencial.

O amor diz sim, o tempo todo. E deve começar de dentro para fora. Começa onde entendemos a delicadeza que há em nós e o cuidado que ela merece. Começa quando percebemos a intenção de nossa verdade e a relação dela com o mundo. Neste ponto fica claro que não é possível dar ao próximo aquilo que não temos para dar, só é possível  ampliar a consciência interna para preparar o nosso presente para o outro. Quando se reconhece este ponto, há o entendimento que não há amor que lhe tire algo, não há amor que cobre de você o seu próprio valor de ter, de merecer, de receber, de ser - ou não seria amor.
Percebo que a chuva que se faz fora me traz o aconchego do recolhimento,  intensificando o calor do Universo que há em mim, percebo que as nuvens apenas protegem o meu mundo interior de ser violado pelo externo. Percebo que este mundo se amplia exponencialmente através da consciência do ser, e que Kali, a Divindade que rege as mudanças, mas simboliza a destruição, veio porque foi invocada. Segundo a  história,  Kali destrói os fantasmas e demônios e protege os dotados de virtudes. Assim será.
Não é possível construir um mundo tão belo sobre fragmentos, é preciso destruir tudo, fazer que tudo se torne cinzas, que se transformarão em solo para receber as sementes, que se converterão em frutos maravilhosos. Isso é viver. Sim, há muita beleza nos fins de ciclos, há muita sabedoria, ensinamento, para quem os deseje receber, sem falar da esperança neste universo que sempre, sempre, conspira a favor.

Em momentos assim, podemos pensar sobre o vazio, presente na incerteza, que o indeterminado pode trazer. Mas, porque desejaríamos preencher o desconhecido, senão para aplacar alguma ansiedade? E por que sedar a ansiedade se ela não tem razão de ser?
A ansiedade não existe para ser sedada, a ansiedade está, onde existe o nada. E o que fazer com isso?
Quando se tem fé, não há medo, é só confiar que não saber nada é o melhor que devemos saber, para não cercearmos as possibilidades. E o vazio não é a ausência de qualquer coisa, mas o espaço a ser preenchido. Com o que você quer preencher o seu vazio?
Neste processo maravilhoso de cuidar do espaço interno, resolvi listar algumas coisas maravilhosas que alimentam a minha alma, me fazem feliz e despertam o essencial:
Olhar de filha/ beijo de filha/ filha perguntando: quer um abraço?/ Ouvir a sabedoria no silêncio do meu pai/ Intuir que meu irmão vai ligar antes do telefone tocar (sempre)/ Falar com  Alex sobre tudo/  Yoga com Zênnia/ Yoga com Hercília/ Carinho da Val/ Amizade da Eli/ Energia da Gê/  Falar de luz com a Lúcia/ com a Diana/ com a Josiane/ com a Maria Cristina/ com a Maria Emília/ Ser parte do Universo/ Pensar o que eu posso fazer pelo mundo/ Fazer o que eu possa pelo próximo/ Ouvir os passarinhos na minha janela/ Escrever como agora/ Chuva lá fora/ Barulho de fonte abundante/ Cachoeira/ Namorar/ Comer brownie deitada no sofá / Sopa vegetariana/ Comida natural no Nave Mãe/ Massagem no pé/ na mão/ no corpo/ Cafuné/ em mim/ no outro/ Beber água, muita/ Acupuntura/ Relaxar/ Alimentar meus peixes/ Alimentar meus sonhos/ Sonhar/ Acreditar na possibilidade/ Acreditar na felicidade/ Acreditar no amor/ Viajar/ Sentir a taquicardia de ver a filha superar/ Chorar de emoção/  Ler  sobre Jesus/ Ver Jesus/ Ler sobre os mestres/ sobre Filosofia/ sobre saúde/ sobre mudança de consciência/ sobre energia/ sobre sustentabilidade/  sobre crianças/ sobre mães/ Meditar/ Agradecer a Deus/  Ficar quieta/ Fazer nada/  Ficar com a mente vazia/ Beijar e dissolver o limite no outro/ Organizar festas/ Pisar na grama/ Integrar/ Receber sorriso de filha/  Ver filha dormindo como um anjo/ Rezar/ Lembrar do amor da minha avó... Sentir saudade...Respirar... Amar.
Ah! Chegar em casa depois da faxina. É exatamente isso, cheguei em casa depois da faxina.
Tá tudo limpo, cheiroso, arrumado, lindo! Agora é descansar.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Asteróide

Ontem passou um asteróide de raspão na Terra.  Isso gerou alguma expectativa, já que ano que vem será 2012, e as tais associações às professias Maias assombram os calendários com previsões de fim do mundo.
O asteróide passou a exatos 325 mil quilômetros da Terra, distância menor do que a lua. Segundo os astrônomos, um corpo espacial assim não se aproximará da Terra antes de 2028.
Mas, por que este interesse astronômico?
Fico pensando, nos vagos tempos eternos entre um minuto e outro, restantes às obrigações da rotina, como somos pequenos, poeira cósmica, neste universo infinito. Que nossas relativas dores, flores, cores, nossos inseparáveis amores, são o nada eterno. Hoje com nossa consciência limitada e relativa, percebemos a realidade, entre pulsos, de absorções e reações- e que curiosamente, obedecem ao mesmo movimento de contração e expansão que rege os planetas.
Não há nada de novo nisto, Hermes Trimegisto já explicava alguns princípios que regem a Ordem Universal. E me atenho ao terceiro princípio, bem objetivamente:
- "Nada está parado. Tudo move. Tudo vibra".  Este é o estado da impermanência.
Calcula-se em um milhão o número de asteróides com mais de 50 metros de diâmetro que se aproximam perigosamente da órbita da Terra. Apesar de relativamente pequenos, contêm cerca de dez megatons de energia, o equivalente a uma potente bomba nuclear. E, no entanto, o que permite que não haja colisão senão uma ordem maior regida pela harmonia, em que as energias se reconhecem através das vibrações emitidas, e passam umas pelas outras, definindo a delicadeza de passos de um balé celeste? Harmonia, governada pelo equilíbrio,  regida por alguma Energia Suprema, que chamo de Deus, e nos faz vibrar, pulsar, interagir.
Nos meus delírios cosmológicos olhei pro céu, pensando neste amigo asteróide que estaria tão próximo e tão afastado- poderia eu vê-lo? Seria eu digna de ser reconhecida?
Sabe-se lá de que mundos são feitos os asteróides, embora nossa limitada ciência aceite a teoria da Rocha... cheguei em casa, impactada por tal pensamento, e conversei sobre o evento com a minha filha, sempre com minhas versões lúdicas ou românticas, segundo algumas interpretações.
- Vc sabia que hoje passa um asteroide pela Terra?
E ela, célula desperta, mas ainda refém da mente coletiva, se aflingiu num sonoro: anhhhhh? Então vai bater em nós e vamos, todos, morrer?
Respondi:- Claro que não, não representa perigo, e quem sabe de que são feitos os asteróides? Na minha imaginação pode ser uma fada, um anjo, ou o gênio da lâmpada, que passará esta noite e levará nossos sonhos e desejos para Deus. Sabe aquele papo: quem sabe passa um anjo e diz amém, pra algo que a gente queira muito?! É isso, pra mim é isso, o asteróide vai passar rápido e dizer amém, então vou pensar em coisas bem maravilhosas, que eu quero que aconteçam e você pode fazer o mesmo.
Ela riu, numa confortável gargalhada de quem se sente em segurança, e disse que pediria pela preservação da natureza, que não matassem as plantas e possamos cuidar do mundo sem guerras, com mais amor.
Esse é o princípio da vibração em sua polaridade máxima positiva. Poderia eu desejar estar em outro lugar, vibrando de felicidade ao compartilhar a passagem deste evento cósmico com a minha filha e ela pedindo pela natureza e pelo amor? Esta é a energia que se desenvolve quieta, vibra, nos envolve a todos, e faz com que o asteróide passe direto, porque reconhece e se reconhece no amor.