O Livro das Virtudes
Tenho por princípio considerar os livros obras infinitas, que vão ampliando os conceitos e a percepção de acordo com o momento ou grau de evolução de cada um. Esta semana comecei a ler com minha filha “O Livro das Virtudes” de William J. Bennet. Eu sou absolutamente fascinada por este livro e estava esperando este momento, o momento em que seria compartilhado por nós duas. Só que foi muito melhor do que desenhei em meus mais remotos planos.
Pra quem não conhece, o livro reúne textos de muitas épocas e lugares. Da Bíblia a Shakespeare, de Esopo aos irmãos Grimm, de Aristóteles a Emily Dickinson, do folclore africano a discursos de Lincoln, de Oscar Wilde a Martin Luther King. São passagens, histórias, contos e poemas que ilustram dez virtudes essenciais para a formação moral de qualquer cidadão. E se tem uma coisa que a gente planta e deseja para os filhos é que sejam pessoas virtuosas.
É interessante, porque esperamos uns...10 anos para isto. Quando era bem pequena, eu lia alguns contos para ela; mas quando começou a ler, não se interessava muito, por ser um tijolão e os livros com desenhos, ilustrações serem os preferidos, por motivos óbvios pra idade. Neste tempo, apresentei suas versões para crianças, que são acessíveis, e tiveram boa aceitação. Mas, nada tira o brilho de ler com ela, textos tão maravilhosos que mudaram os conceitos, corrigiram os rumos e construíram nossa história.
Segue o texto, que guardei este tempo todo, e que gostaria, se eu fosse tão brilhante, de ter escrito para ela. De Scott Fitzgerald, em “O Livro das Virtudes”:
“Querida filha:
(...) Estou satisfeito por você estar feliz, mas não acredito muitoem felicidade. Tampouco acredito em tristeza. São coisas que vemos no teatro, no cinema ou nos livros; essas coisas não nos acontecem na vida real.
Tudo em que acredito na vida são as recompensas à virtude (de acordo com os talentos de cada um) e os castigos por deixar de cumprir com as obrigações, que custam o dobro.
Sem pensamentos hoje, a vida parece um simples relato de um caso publicado no Saturday Evening Post. Penso em você, e sempre de forma agradável: mas se me chamar de “Pappy” outra vez, vou levar o Gato Branco para fora e dar-lhe uma boa surra, seis palmadas para cada vez que você for impertinente. Alguma reação quanto a isso?
Vou preparar a lista de comportamento na colônia.
Tolices, concluirei. Coisas que merecem atenção:
Cuide da coragem
Cuide da higiene
Cuide de eficiência
Cuide da equitação...
Coisas que não merecem atenção:
Não ligue para a opinião dos outros
Não ligue para bonecas
Não se preocupe com o passado
Não se preocupe com o futuro
Não se preocupe com o seu crescimento
Não se preocupe se alguém passar à sua frente
Não penseem triunfar
Não pense no fracasso, exceto se for por sua culpa
Não ligue para mosquitos
Não ligue para moscas
Não ligue para os insetosem geral
Não se preocupe com os pais
Não se preocupe com os meninos
Não se preocupe com as decepções
Não se preocupe com os prazeres
Não se preocupe com as satisfações
Coisas para pensar:
Qual é o meu objetivo verdadeiro?
Como me classifico em comparação às meninas da minha idade quanto a: a) meu desempenho na escola? b) compreender realmente as pessoas e ser capaz de me relacionar bem com elas? c) estar fazendo do meu corpo um instrumento útil ou negligenciando este aspecto?”
(...) Estou satisfeito por você estar feliz, mas não acredito muito
Tudo em que acredito na vida são as recompensas à virtude (de acordo com os talentos de cada um) e os castigos por deixar de cumprir com as obrigações, que custam o dobro.
Sem pensamentos hoje, a vida parece um simples relato de um caso publicado no Saturday Evening Post. Penso em você, e sempre de forma agradável: mas se me chamar de “Pappy” outra vez, vou levar o Gato Branco para fora e dar-lhe uma boa surra, seis palmadas para cada vez que você for impertinente. Alguma reação quanto a isso?
Vou preparar a lista de comportamento na colônia.
Tolices, concluirei. Coisas que merecem atenção:
Cuide da coragem
Cuide da higiene
Cuide de eficiência
Cuide da equitação...
Coisas que não merecem atenção:
Não ligue para a opinião dos outros
Não ligue para bonecas
Não se preocupe com o passado
Não se preocupe com o futuro
Não se preocupe com o seu crescimento
Não se preocupe se alguém passar à sua frente
Não pense
Não
Não ligue para mosquitos
Não ligue para moscas
Não ligue para os insetos
Não
Não se preocupe com os meninos
Não se preocupe com as decepções
Não se preocupe com os prazeres
Não se preocupe com as satisfações
Coisas para pensar:
Qual é o meu objetivo verdadeiro?
Como me classifico em comparação às meninas da minha idade quanto a: a) meu desempenho na escola? b) compreender realmente as pessoas e ser capaz de me relacionar bem com elas? c) estar fazendo do meu corpo um instrumento útil ou negligenciando este aspecto?”
Ela adorou, sorriu, sorrimos, lemos outros... e ela perguntou nesse contexto todo, o que eram as virtudes?
Respondi que eram qualidades na formação da moral, do caráter das pessoas.
Mas, pesquisando melhor encontrei uma definição que achei perfeita: Disposição constante do espírito que nos induz a exercer o bem e evitar o mal.
Estamos em paz, cada dia mais!
Rio, 25 de Março de 2011
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