Ontem passou um asteróide de raspão na Terra. Isso gerou alguma expectativa, já que ano que vem será 2012, e as tais associações às professias Maias assombram os calendários com previsões de fim do mundo.
O asteróide passou a exatos 325 mil quilômetros da Terra, distância menor do que a lua. Segundo os astrônomos, um corpo espacial assim não se aproximará da Terra antes de 2028.
Mas, por que este interesse astronômico?
Fico pensando, nos vagos tempos eternos entre um minuto e outro, restantes às obrigações da rotina, como somos pequenos, poeira cósmica, neste universo infinito. Que nossas relativas dores, flores, cores, nossos inseparáveis amores, são o nada eterno. Hoje com nossa consciência limitada e relativa, percebemos a realidade, entre pulsos, de absorções e reações- e que curiosamente, obedecem ao mesmo movimento de contração e expansão que rege os planetas.
Não há nada de novo nisto, Hermes Trimegisto já explicava alguns princípios que regem a Ordem Universal. E me atenho ao terceiro princípio, bem objetivamente:
- "Nada está parado. Tudo move. Tudo vibra". Este é o estado da impermanência.
Calcula-se em um milhão o número de asteróides com mais de 50 metros de diâmetro que se aproximam perigosamente da órbita da Terra. Apesar de relativamente pequenos, contêm cerca de dez megatons de energia, o equivalente a uma potente bomba nuclear. E, no entanto, o que permite que não haja colisão senão uma ordem maior regida pela harmonia, em que as energias se reconhecem através das vibrações emitidas, e passam umas pelas outras, definindo a delicadeza de passos de um balé celeste? Harmonia, governada pelo equilíbrio, regida por alguma Energia Suprema, que chamo de Deus, e nos faz vibrar, pulsar, interagir.
Nos meus delírios cosmológicos olhei pro céu, pensando neste amigo asteróide que estaria tão próximo e tão afastado- poderia eu vê-lo? Seria eu digna de ser reconhecida?
Sabe-se lá de que mundos são feitos os asteróides, embora nossa limitada ciência aceite a teoria da Rocha... cheguei em casa, impactada por tal pensamento, e conversei sobre o evento com a minha filha, sempre com minhas versões lúdicas ou românticas, segundo algumas interpretações.
- Vc sabia que hoje passa um asteroide pela Terra?
E ela, célula desperta, mas ainda refém da mente coletiva, se aflingiu num sonoro: anhhhhh? Então vai bater em nós e vamos, todos, morrer?
Respondi:- Claro que não, não representa perigo, e quem sabe de que são feitos os asteróides? Na minha imaginação pode ser uma fada, um anjo, ou o gênio da lâmpada, que passará esta noite e levará nossos sonhos e desejos para Deus. Sabe aquele papo: quem sabe passa um anjo e diz amém, pra algo que a gente queira muito?! É isso, pra mim é isso, o asteróide vai passar rápido e dizer amém, então vou pensar em coisas bem maravilhosas, que eu quero que aconteçam e você pode fazer o mesmo.
Ela riu, numa confortável gargalhada de quem se sente em segurança, e disse que pediria pela preservação da natureza, que não matassem as plantas e possamos cuidar do mundo sem guerras, com mais amor.
Esse é o princípio da vibração em sua polaridade máxima positiva. Poderia eu desejar estar em outro lugar, vibrando de felicidade ao compartilhar a passagem deste evento cósmico com a minha filha e ela pedindo pela natureza e pelo amor? Esta é a energia que se desenvolve quieta, vibra, nos envolve a todos, e faz com que o asteróide passe direto, porque reconhece e se reconhece no amor.
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